quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

A mais louca aventura da minha vida

Minha biografia é cheia de estórias, estórias emocionantes, estórias divertidas, estórias surreais, e cada uma, significou aquela pitada de pimenta na minha vida. Fazendo uma analogia com os humanos, não sou aquele tipo que fica de pijama, assistindo futebol e tomando uma cerveja fim de semana sim e outro também. Definitivamente, eu gosto é de emoção!
Desde que virei cachorro de dondoca, e estabeleci uma maravilhosa relação com minha dona, até hoje, teve um único episódio que arrepio só de lembrar. E agora vou contar!
Como de costume, naquela sexta feira fui dar um passeio na Praça JK. Aquele esquema de sempre, encontrar os outros vira latas, os moradores que passeiam com seus cães pela manhã e receber um carinho da Elaine, o anjo.
Depois de curtir bastante, decidi tomar o rumo de casa. Até então, estava tudo absolutamente dentro da normalidade. Foi então que notei uma mulher caminhando na minha direção. Em um primeiro momento não dei atenção. Parecia apenas mais um dos vários pedestres que vem e vão por ali diariamente.
Quando dei por mim, aquela bonitona estava do meu lado, agachada, com uma carinha de piedade e me chamando pelo nome. Simplesmente fui ao encontro daquela bruxa. Ela veio de mansinho, fazendo um carinho gostoso na minha cabeça, eu fui relaxando e permitindo que chegasse cada vez mais perto.
Dali para entrar no carro dela foi um pulo! Achei que estava tudo certo, que era apenas uma nova amiga. Ledo engano! Sabe aquela velha estória, na qual os pais dizem aos filhos para não conversar com estranhos? Pois é, deveriam dizer o mesmo para os seus cachorros!
Já se passaram 04 anos desde que fui arrebatado por essa mulher e até hoje, sinceramente, não consegui entender porque ela me tirou da minha vida perfeita e me levou para uma clinica veterinária em outro canto da cidade. O ser humano é mesmo louco!
Fiquei sozinho e desamparado ali naquele hospital. Em um primeiro momento pensei que era mais uma das minhas aventuras. Tinha certeza absoluta que a minha dona iria entrar pela porta a qualquer momento, como sempre fez, e me salvar de mais uma das minhas presepadas.
Mas desta vez, eu juro que não tive culpa!
Dizem que o tempo dos cachorros corre diferente do tempo do bicho homem. Pra dizer a verdade, para nós caninos, este conceito de tempo não existe. Mas a partir deste dia fatídico, pelo menos para mim, começou a existir. Contei cada semana, cada dia, cada hora, cada minuto, cada segundo que passei esperando.
Toda vez que eu acordava e percebia que ainda estava ali, era como se eu estivesse vivendo um pesadelo, pesadelo por estar preso e por ter sido abandonado pela minha dona.
Eu não compreendia o que realmente estava se passando. A louca que me seqüestrou, apareceu duas vezes para me visitar e depois sumiu. A única coisa que sabia, era que na minha coleira, estava escrito o meu nome, João, e o telefone da minha mãe.
Era por isso, que eu tinha cada vez mais certeza de que ela tinha me largado para sempre naquele inferno. Afinal, os fofoqueiros sempre davam notícia da minha vida! Eu não podia dar um rolé, que alguém ligava avisando exatamente onde eu estava. Estava certo de que ela estava ciente do meu paradeiro, mas não tinha dado à mínima!
Foram 45 dias, 7 horas, 20 minutos e 32 segundos de sofrimento. Até que de repente, quando eu já havia me entregado ao pessimismo total, a Elaine, o anjo, apareceu para me buscar.
Foi só então que eu descobri o que realmente estava acontecendo! Minha dona, que neste momento estava de férias em Portugal, já tinha me dado como morto. Inacreditável! Mas não sabia nada a respeito do seqüestro.
O que me contaram, foi que ela não fazia idéia que eu estava internado. Passou semanas sofrendo, me procurando em todos os cantos, perguntando para todas as pessoas que me conheciam se tinham notícias, espalhando faixas e cartazes por toda a zona sul: procura-se João desesperadamente!
Ouvi dizer, que ela viajou inconformada com o meu sumiço, mas já começando aceitar alguma hipótese trágica. A mais plausível era atropelamento. Ela nem cogitou a possibilidade, do seu cão parceiro ter acordado e ido embora, sem aviso ou despedida. Tipo: fui ali comprar um cigarro e não voltar nunca mais. Minha dona me conhece bem! Sabe que eu não sou covarde. Isso é coisa de ser humano. Se um dia eu enfarar desta vida, o que acho difícil, direi a ela que estou partindo e não tenho dúvidas de que ela me dará a maior força.
Ligaram para ela no exterior, avisando que eu estava de volta. Vivinho da silva! Quis pegar o primeiro vôo de volta para o Brasil. Foi irmã dela, aquela que não vai muito com a minha cara, que a convenceu de que não valeria a pena ela perder o final das férias em cidades tão lindas e na agradável companhia de seus pais. Estava tudo bem!
O nosso reencontro foi inesquecível!

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