Minha dona é uma grande companheira. Depois do expediente, sempre saímos para dar uma corrida. Este é o nosso momento de relaxar ao fim de mais um dia estressante e acaba servindo também, de tabela, para eu gastar um pouco da minha energia. Sem essa válvula de escape, definitivamente, não consigo ficar sossegado!
Sou um cão hiper-ativo. Como já contei em outros posts, tenho fogo no rabo, sou boêmio e não resisto sair para meus passeios noturnos.
Sempre que ela começa a se preparar para ir embora, desligar o notebook, arrumar a bolsa e finalmente apagar as luzes do escritório, já me animo todo. Sei que esta é a hora da nossa voltinha. O percurso é bem variado. Minha dona é como eu: não gosta de repetição e adora um atalho. Tudo depende do astral e da disposição dela. Quem vê aquela baixinha não imagina como ela corre. Confesso, que ás vezes ela me quebra!
Acabei ficando meio vidrado nesse lance de corrida. Nos dias em que ela não vai, fico a noite toda entediado ou acabo dando uma das minhas fugidas para a night. Mas teve uma vez, que eu estava tão a fim de sair correndo, que não resisti. Assim que ela virou as costas, pulei o portão e sai em disparada como se fosse a minha ultima vez!
Sai na inércia seguindo por um dos trajetos que eu já havia feito com a Luiza. Quando estava subindo a Avenida das Agulhas Negras, lugar que a gente sempre passa, encontrei um camarada que estava em um ritmo bem legal. Não deu outra! Resolvi acompanhar.
A princípio ele tentou ir mais rápido, mas mostrei que sou bom na corrida. Eu dava aquela disparada, tipo pra esnobar, e esperava-o lá na frente. E assim, ficamos por volta de uma hora, até que ele parou em frente a uma casa, tocou o interfone e entrou. Não entendi muito bem, mas como eu estava cansado, resolvi relaxar e me estiquei na calçada. Passado algum tempo, o rapaz reapareceu com um telefone nas mãos, leu a placa que tenho na minha coleira fez uma ligação.
Já pensei logo: Estrepei-me! Ele vai falar cobras e lagartos para a minha dona! Nessas horas, mesmo sem ter feito nada de errado, eu sempre penso no pior. Acho que são traumas de um ex vira lata! Mas que nada! Apesar de alguns seres humanos serem terríveis, tem também, gente muito bacana neste mundo. Pra minha sorte este camarada era um deles!
A conversa que escutei foi à seguinte:
- Olá! Gostaria de falar com a dona de um cachorro chamado João.
Imagino que Luiza deva ter respondido lá do outro lado que era ela mesma. Foi então que ele disse:
- Tudo bem! Aqui quem fala é Luiz Heitor. Estou ligando para dizer que não precisa preocupar porque ele está bem. Correu mais de uma hora comigo e agora esta deitado aqui em frente a minha casa.
Nesta hora ela deve ter contado que eu morava no Mercado Verde e que provavelmente, eu devia ter pulado o portão mais uma vez. Meu novo amigo disse:
- Ah Claro! Ele mora no Mercado Verde? Sei onde fica! Aquela flora charmosa na Avenida Bandeirantes!
Pelo que ele falou depois, imaginei que ela devia estar se desculpando, assim meio sem jeito pela minha folga e com receio de eu fazer alguma trapalhada.
- Não... imagina! Não precisa se preocupar! Ele não me incomodou em nada. Aliás, deu para perceber de cara que ele é um cão muito dócil. Sabe o que é? Eu tenho uma cadela Golden Ritriever e gostaria que ele passasse o fim de semana aqui conosco! Você pode buscá-lo na segunda-feira?
Eu ali na expectativa, sem saber o que ela estava dizendo. Mas como ele foi logo me colocando para dentro de casa, percebi que minha dona tinha liberado. Uhuuuuuuu! Fim de semana diferente, na casa de amigo novo era tudo que eu estava precisando para acabar com o meu tédio. Modéstia a parte, sou um cachorro bacana, mas aquele convite me surpreendeu. Nem eu sabia deste meu poder de sedução.
Fui entrando, desinibido, curtindo aquela casa gostosa e cheia de espaço para brincar. A Golden...putz...nem sei o que dizer! Chegou toda animada, simpática, balançando o rabo. Foi um fim de semana sensacional, sombra e água fresca, na maior mordomia, com um amigo super bacana e com aquela louraça. Aiaiai ... foi só alegria.
Até a próxima!
Lambidas
João, o cão social
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