As peças do quebra cabeça foram se encaixando gradativamente. Depois de acabada a euforia gerada pela minha volta ao lar, todos começaram a querer entender o que realmente tinha acontecido. Quem era a seqüestradora? Porque ela me levou para uma clinica veterinária cara, no bairro de Lourdes sem que eu estivesse doente? Porque depois de 45 dias ela desistiu? O mistério tinha de ser desvendado!
Logo que meus amigos ficaram sabendo que eu estava na área, o assunto começou a passar de boca em boca e as pistas começaram a aparecer.
A primeira foi justamente a que levou a meu paradeiro. Uma senhora ligou na minha casa, o Mercado Verde, e informou que eu estava internado na Clinica Veterinária São Francisco. Disseram que já estava curado, podiam ir me buscar e acertar os custos relativos ao meu tratamento.
A funcionária que atendeu a chamada achou tudo aquilo muito suspeito. Como minha dona estava viajando, ela pediu para a Elaine ir até lá e constatar se era realmente eu, o João Grandão. Chegou a pensar que poderia ser um trote de um insensível, que sabia do caso do cachorro desaparecido e queria se divertir. Foi assim, que depois de 45 dias, ela apareceu no hospital de cachorros me procurando e me salvou!
Mesmo antes de a minha dona retornar de férias e começar a investigação, ninguém havia engolido esta estória. A pergunta que não queria calar: Se eu tinha uma identificação na minha coleira, com nome e dois números de telefone, porque não ligaram no dia em que eu fui internado? Afinal de contas não era um hospital do SUS e sim um particular! Que estabelecimento deste tipo acolhe um cachorro por semanas sem comunicar a um responsável e garantir o pagamento?
Quando ela retornou ao Mercado Verde a primeira coisa que fez, aliás, a segunda, pois a primeira mesmo foi me apertar todo, foi ligar para a clínica para saber quem me levou para lá. Mas a atendente desconversou e não concordou em passar esta informação. Muito estranho, não é? Pensa bem gente! Qual era o problema de passarem o nome? A única razão seria a pessoa não querer se identificar. Certamente por ter percebido a burrada que tinha feito.
Depois começaram a aparecer as testemunhas oculares, aquelas que presenciaram o rapto. O retrato falado da mulher começou a ser montado: era uma mulher, na faixa dos quarenta anos, de pele morena, cabelos escuros e corpo sarado. Várias pessoas apareceram com a mesma descrição. Ninguém deu noticias antes porque a delinqüente foi tão descarada, fez tudo tão publicamente, que acabou fazendo com que todos pensasem que era uma amiga da minha dona me levando para um passeio ou qualquer coisa do gênero.
As notícias foram rolando até que um belo dia, eis que surge no Mercado Verde uma senhora, exatamente como a que descreveram e começa a perguntar sobre mim. Estava meio constrangida, tensa e acabou dando na cara que ela era a seqüestradora. Minha dona teve certeza naquele momento que era ela! Mas optou pelo silencio pois percebeu que não passava de mais um ser humano maluco e egoísta que tinha me levado por puro capricho! Depois se arrependeu e não tinha como voltar a trás e simplesmente me devolver como se na tivesse acontecido. Não adiantaria de nada brigar com aquela meliante!
Minha dona tem uma veia de detetive desde criança. Ela percebe coisas que a maioria das pessoas deixaria passar batido. Mas algum tempo depois, mesmo ela já tendo identificado, os fofoqueiros de plantão, supostamente amigos da morena seqüestradora, vieram até ela e confirmaram toda a estória com fatos e detalhes. Mas o que realmente importa e que voltei pra casa. Lar doce lar!
Lambidas
Big Jony
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