Pronto! Agora já sabem por alto como a minha vida mudou da água para o vinho. Fui de cachorro de rua para uma categoria muito melhor do que cachorro de madame, pois sou tratado com todos os mimos e carinhos que tenho direito e tudo isto com toda a liberdade.
Não sei como nomear este status, mas considero que eu e minha dona temos um relacionamento liberal.
Adoro sair por aí sem rumo, completamente sem destino e sem hora marcada pra voltar pra casa.
Atualmente até que sou mais tranqüilo e caseiro, mas confesso que no início eu acabava dando umas fugidas pela madrugada à dentro. Aiaiai! Nem gosto de pensar quantas vezes um sujeito que eu nem conhecia, lia o telefone dela na minha coleira e ligava tarde da noite pra dizer que eu estava no bar tal, na rua tal. Putz! Era um transtorno!
Uma pessoa normal, que gosta de cachorros, poderia até se preocupar com estes telefonemas, mas não sairia da cama no meio da noite ou de uma festa pra rodar a cidade atrás de um cão. Diga-se de passagem, um vira lata.
Quando finalmente, depois de rodar um bairro inteiro, me encontrava na rua perambulando, estava escrito em seus olhos que estava uma fera comigo! Mas não adiantava ninguém falar nada contra mim, pois para esta adorável mulher, é humanamente impossível deitar a cabeça no travesseiro e dormir sabendo que eu estou desamparado. Imagino que era exatamente assim que ela se sentia, ou melhor, sente, pois ainda não aposentei as minhas chuteiras. Diminui o ritmo, mas às vezes, ainda dou as minhas escapadas noturnas.
Labidelas
João Grandão
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