terça-feira, 23 de novembro de 2010

Quem não se irrita vai direto para o céu!

Tenho certeza que tem algumas coisas que te irritam, certo?
Se eu que sou um cão super tranqüilo, sem 1% das paranóias dos seres humanos, tenho esta fraqueza, se você não tiver, é realmente um Santo!
Não vou me prolongar mais. Esta introdução é um pouco para limpar a minha barra, claro! Pois me comparando com o homem, acabo sempre levando vantagem. Pois sou bem menos complicado!
Bem, vamos direto ao assunto. Na avenida onde eu moro tem uma pista de Cooper que é um dos meus lugares prediletos. Quando o ambiente esta quieto, costumo deitar por ali de pernas cruzadas e fico vendo um ou outro corredor passar. Até ai tudo certo! Mas quando passa uma bicicleta pinta o problema! Fico enlouquecido de raiva e saio correndo, latindo e se possível mordendo a roda.
Não adianta a minha dona chamar minha atenção, me explicar ou me dar um corretivo. Eu me arrependo, penso em não fazer nunca mais e tudo vai abaixo quando aparece a próxima bike.
Foi em uma dessas vaciladas que um sujeito muito estressado parou, desceu e veio quente tirar satisfação, satisfação com a minha mãe, certamente! Afinal, nenhum maluco pede explicações a um cão.
Como a minha adorável protetora sabe que eu não sou flor que se cheire e conhece bem estas minhas disparadas atrás de qualquer ciclista que passa pela pista, recebeu o rapaz de maneira amável e realmente disposta a levar um espalho calada.
O problema é que o camarada partiu para o ataque e acabou perdendo a razão. Ela tentou argumentar de todas as formas, mas naquele dia, parecia que aquele homem tinha saído de casa com a idéia fixa de brigar com o primeiro mortal que cruzasse o seu caminho. Acabei sendo o escolhido!
A briga foi esquentando e o sujeitinho começou a crescer para cima dela. A agressão verbal já não estava resolvendo o problema, ele parecia querer dar era porrada mesmo! Imagine eu vendo isso! Uma verdadeira covardia! Não sabia o que era pior, avançar no cara e jogar de vez a sujeira no ventilador ou ficar na minha. Foi terrível!
De repente, do meio do nada, quando a situação já estava começando a ficar fora de controle, aparece o salvador! Era o pai dela chegando que nem um touro feroz, tirando ela da frente do cara e peitando o camarada de homem pra homem. Não deu outra, o covarde abaixou a bola em dois tempos, subiu naquela magrela maldita e foi embora pedalando.
Eu nem sei dizer, ou melhor, expressar o tanto que fiquei agradecido! Não poderia imaginar aquele anjo nocauteado por minha culpa.
Eu estava contente por tudo ter acabado bem. Mas também por meu “avô” ter tomado o meu partido. Mas depois, ouvi dizer, que quando ele descobriu que a briga era por minha causa, ele disse: “se eu soubesse que a razão daquele troglodita partir para cima de você era mais uma trapalhada do João, acho que tinha te deixado apanhar!” Mas tudo bem, nem tudo é perfeito!

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Quem sou aos olhos do ser humano - Parte II

Não posso dizer que sou uma unanimidade, longe disso! Mas é incrível como não passo despercebido, ou as pessoas me amam ou me odeiam.

Pra falar a verdade, não estou nem aí para o julgamento dos humanos ao meu respeito. Acho curioso alguém não gostar de um vira lata despretencioso e simpático como eu, mas entender mesmo, não entendo! Cachorro não tem essa coisa de ficar preocupando com a vida dos outros. Nós gostamos de todos e só prestamos atenção em quem realmente importa.  Fora que nossa memória é curtíssima! Aliás, o dia que o bicho homem perceber tudo isso, vai ser muito mais leve e feliz.

Mesmo eu sendo assim, desligadão, acabei tendo de aceitar a opinião de umas poucas pessoas, não por me importar com elas, mas por serem importantes na vida da minha dona que eu amo de paixão.
Ela tem uma irmã que é fogo, fogo porque o que ela diz a meu respeito é a mais pura verdade, e acaba fazendo com que a minha dona perceba coisas que provavelmente não perceberia sozinha.
Quando esta mulher insuportável aparece no Mercado Verde já chega reclamando que o escritório esta bagunçado por minha causa, que esta cheirando a murrinha de cachorro e da uns ataques ridículos quando eu fico cheirando os clientes...afff. Ninguém merece!
Pior de tudo é que a minha consciência pesaria demais se eu dissesse que “a mala” não está coberta de razão, pois jamais quero prejudicar a minha proprietária, e afastar os clientes seria uma péssima idéia! Pra complicar ainda mais a minha vida, a irmã maldita adora de cães. Antes não gostasse para eu poder acusá-la de preconceituosa!
C’est la vie!!!
João

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Quem sou aos olhos do ser humano- Parte I

Nem tudo é perfeito, nem mesmo na vida canina!
Confesso! Ás vezes dou uma vacilada, perco as estribeiras e parto para cima de um ou outro cachorro de madame que passa em frente a minha casa, o Mercado Verde.
Não pensem que tenho preconceito em relação a outras raças, mas é que os cães, assim como as crianças, são muito influenciados pelas suas mães. Até um vira lata safo como eu poderia se transformar em um completo “Mané” nas mãos de um proprietário “Mané”.
Na maioria das vezes, a minha postura é só para demonstrar quem é o rei do pedaço e marcar meu território. Mas nas situações em que apelei geral e perdi completamente o controle, no máximo umas duas ou três vezes, o marido da minha dona, o meu padrasto, apareceu por lá. Convenhamos, é muita falta de sorte!
Daí vocês já podem imaginar o resto da estória. O cara me acha um cão fora de controle!
Até entendo a posição dele, afinal fica com receio que eu prejudique a reputação da esposa no ambiente de trabalho. Ela já tentou argumentar que foi uma infeliz coincidência, que eu não sou tão nervosinho quanto posso aparentar, mas nada feito, ele é irredutível!
Infelizmente, mais uma vez, terei de concordar com ele. Pois além das evidências, tem mais um ponto contra mim. Minha dona é mais permissiva do que a média quando o assunto é cachorro. Dizem as más línguas que ela é até meio sem noção!
Pra dizer a verdade ela sabe muito bem o que quer, prefere os animais aos seres humanos. Mais do que compreensível! Afinal de contas, todos os cães que eu já conheci nesta minha vida, independente da raça, podiam até ter defeitos, mas eram impreterivelmente leais aos seus donos e só estavam com eles por uma única razão: amor.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Adaptação à vida de cachorro de madame

Pronto! Agora já sabem por alto como a minha vida mudou da água para o vinho. Fui de cachorro de rua para uma categoria muito melhor do que cachorro de madame, pois sou tratado com todos os mimos e carinhos que tenho direito e tudo isto com toda a liberdade.
Não sei como nomear este status, mas considero que eu e minha dona temos um relacionamento liberal.
Adoro sair por aí sem rumo, completamente sem destino e sem hora marcada pra voltar pra casa.
Atualmente até que sou mais tranqüilo e caseiro, mas confesso que no início eu acabava dando umas fugidas pela madrugada à dentro. Aiaiai! Nem gosto de pensar quantas vezes um sujeito que eu nem conhecia, lia o telefone dela na minha coleira e ligava tarde da noite pra dizer que eu estava no bar tal, na rua tal. Putz! Era um transtorno!
Uma pessoa normal, que gosta de cachorros, poderia até se preocupar com estes telefonemas, mas não sairia da cama no meio da noite ou de uma festa pra rodar a cidade atrás de um cão. Diga-se de passagem, um vira lata.
Quando finalmente, depois de rodar um bairro inteiro, me encontrava na rua perambulando, estava escrito em seus olhos que estava uma fera comigo! Mas não adiantava ninguém falar nada contra mim, pois para esta adorável mulher, é humanamente impossível deitar a cabeça no travesseiro e dormir sabendo que eu estou desamparado. Imagino que era exatamente assim que ela se sentia, ou melhor, sente, pois ainda não aposentei as minhas chuteiras. Diminui o ritmo, mas às vezes, ainda dou as minhas escapadas noturnas.
Labidelas
João Grandão