quarta-feira, 1 de junho de 2011

Policia para quem precisa,policia para quem precisa de policia!

Minha adorável dona já recebeu até ameaças de morte por minha causa. Como um cachorro ainda não pode ser réu, é ela que acaba pagando o pato!
Desde que fui adotado, há aproximadamente cinco anos, não consegui passar uma semana sequer sem aprontar. Às vezes pego leve e dou apenas uma das minhas fugidas básicas, mas às vezes pego pesado.
Devem estar se perguntando se eu não sinto culpa por atormentar a vida da Luiza desta maneira. Sinceramente? Já senti muito remorso, mas com o passar do tempo fui me tornando um cão mais maduro, equilibrado e estou aprendendo o caminho do meio. Entendi que me sentir culpado, ao menos um pouco, é até bom para colocar um freio na minha natureza insana. Ao mesmo tempo, descobri que não sou o único responsável por todos os pepinos que acontecem. Os fatos dependem das conjunturas, da atuação e das escolhas de cada um.
Vou contar um caso que aconteceu comigo que ilustra bem este meu pensamento. Vou relatar uma de minhas passagens pela policia.
A primeira vez que envolvi a minha dona com os canas, foi por causa de um cachorrinho de madame ridículo que passava todas as manhãs em frente ao Mercado Verde. Sei que não sou nenhum santo, mas com este camarada eu impliquei de cara! Alguma coisa ali não ia bem, e feeling de vira lata é infalível!
Sempre que ele pintava no pedaço, eu já partia pra cima, cheirava e marcava o meu território. Eu deixava bem claro que era para ele passar rápido pela minha área, e de preferência de cabeça baixa.
Até aí, o meu gênio dominador era o único problema nessa estória. O que eu não poderia imaginar é que a isso, se somaria a histeria da dona do cão. Não contava com mais essa complicação para a minha vida, diga-se de passagem, bastante tumultuada!
Naquele dia, como de costume, ele passou resignado e de rabo baixo, e eu fui atrás com tudo! O que aconteceu de diferente foi a reação da coroa que ficou completamente descontrolada, tipo um dia de fúria! Quem passava por ali naquele instante deve ter imaginado que eu estava dilacerado aquele pulguento de grife com os meus dentes.
A mulher certamente acordou com a macaca e acabou descontando toda a sua ira em cima da minha dona. Coitada, sempre ela! Acho isso injusto, pois apesar de ser cachorro sou mais esperto que muito ser humano.
Calma...o tumulto não para por aí!  No começo, a Luiza foi super cordial e tentou, em vão, chegar a um acordo. Disse que me prenderia todas as vezes que ela desejasse passar. Argumentou que caso não fosse a minha proprietária, eu estaria solto, com fome e incomodaria muito mais. Mas nada tirava da cabeça da velhaca que eu era uma ameaça perigosa!
Não teve como abafar o barraco! Pintou policia e o filho dela que era advogado. Aqui entre nós...que papelão! Imagina o mico que esse camarada pagou acusando um cachorro que todo mundo na vizinhança sabia que era folgado, mas muito boa praça.
O coitado do guarda quase morreu de vergonha quando chegou e me viu esparramado na calçada, com a barriga pra cima e esperando um chamego. Olhou embaraçado para a minha dona e aproveitou que o circo estava pegando fogo para chamá-la discretamente a um canto e se desculpar por ter de fazer aquele BO. Mas ele não tinha alternativa. A senhora, apesar de surtada, tinha aquele direito.
Foi o próprio meganha que sugeriu que a Luiza contra atacasse abrindo também um boletim de ocorrência, neste caso, acusando a megera por agressão. Minha dona acatou a idéia.
O sábio policial percebeu que a ameaça para a sociedade era a tal mulher e não eu.
Graças a Deus, ou melhor, a um PM razoável, esta estória não teve maiores conseqüências. A louca nunca mais passou por aqui. Deve ter ficado morrendo de vergonha quando caiu em si.
Imaginem se fosse um daqueles guardas idiotas que adoram exercer o “poder”! Se o terceiro personagem desta estória fosse este, talvez a coitada da Luiza estivesse respondendo a mais um processo.
Cheiradas pacíficas
João

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