A vida é assim: um dia a gente perde, no outro a gente ganha!
A vida é assim: um dia ganhamos, mas no outro perdemos!
Assim como existem pessoas estressadas e desocupadas, como aqueles que querem mandar minha dona para a cadeia só porque eu dei uma latida mais feroz, tem gente que faz o bem!
Dizem que o ser humano se difere dos animais porque ele pensa. Acho esta afirmação muito generalista. Poderíamos dizer, sem medo de errar, que uma porcentagem realmente pensa.
Minha dona é um bom exemplo! Ela não é uma alienada que resolveu pegar um cachorro doido para criar. Ela faz, voluntariamente, um trabalho para a sociedade: recolhe cães de rua e leva até Prefeitura para castrar. A conseqüência desta atitude será boa para todos, pois os vira-latas, aos poucos, serão erradicados das ruas.
Pensem bem! Se nós caninos não procriarmos, uma hora seremos instintos. Eu mesmo sou castrado!
Aqui entre nós, será que ela não tem o direito de me acolher? Seria o mínimo depois de tanto empenho!
Na melhor das hipóteses, eu ainda viveria nas ruas, incomodaria aqueles que me abominam e, para completar, cruzaria com todas as fêmeas no cio que encontrasse pelo meu caminho. Imaginem que tragédia! Nessa altura do campeonato, existiriam mais dezenas de Joãozinhos espalhados pela cidade.
Pronto! Agora que desabafei posso contar mais uma de minhas aventuras.
Mas não sem antes esclarecer uma coisa: eu vivi na rua desde que me entendo por cão e nunca ataquei ninguém. O máximo que eu faço é marcar o meu território!
Muitas vezes, as pessoas que não estão habituadas com cachorros, se assustam mesmo, mas é por pura ignorância, por não conhecer o nosso comportamento.
Mas eu perdôo! Ninguém conhece sobre todos os assuntos, a não ser os tolos!
Sem me estender mais vamos à última do João: na sexta-feira passada eu não agüentava mais ficar enjaulado e dei aquela fugida básica para dar uma voltinha na Avenida dos Bandeirantes.
Mal coloquei as patas fora do Mercado Verde e um carro parou no meu caminho. A motorista começou a me olhar com um misto de ternura e compaixão. Saquei na hora o que ela estava pensando: pela minha postura eu tinha dono, mas estava perdido! Definitivamente as pessoas não assimilam fácil esta minha vida de cachorro de dondoca, mas com liberdade. Esse tipo de relação é muito arrojado para os padrões culturais provincianos do mineiro.
Quando dei por mim já estava na cobertura da moça! A propósito, sendo tratado como se fosse um membro da família.
Não sei porque, mesmo depois de tanta sorte, confio no meu santo. Eu sabia que poderia relaxar e curtir a mordomia porque a minha dona, ia dar um jeito de me localizar.
Quando chegou a segunda-feira e ela percebeu que eu já estava a 48 horas desaparecido, entrou em ação.
A Luiza colocou a boca no mundo! Ela distribuiu faixas, cartazes e publicou na rede. Foi através do Facebook que ela chegou ao meu paradeiro. Minha foto foi divulgada, os amigos dela curtiram e divulgaram para mais gente e assim sucessivamente.
A moça que me achou, fez o mesmo: colocou a minha foto no perfil do Facebook dela.
Elas tinham um amigo, do amigo, do amigo, em comum, que muito esperto, cruzou as informações do cão procurado com as do cão encontrado.
Na terça, depois de curtir um fim de semana irado, estava de volta ao lar.
Deu tudo certo!
Obrigado a minha nova amiga! Por ter me acudido mesmo sem eu estar perdido.
É por estas e outras que eu estou me lixando para os tolos. Principalmente aqueles que ao invés de fazerem alguma coisa boa para a sociedade ou para eles mesmos, preferem mandar a Luiza para o xilindró.
Lambidas
João fujão
