quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Maria, meu amor!

Sabe aqueles dias chuvosos, em que passamos horas fio olhando a chuva cair, sem pensar em simplesmente nada? Foi exatamente em um dia como este que conheci minha deusa, a Maria.
Eu estava em paz! Sentia uma sensação gostosa, de ser feliz onde se esta e com quem se está. Acho que foi por isso que os astros conspiraram a meu favor!
Sei o que deve estar pensando: Nem parece que é um vira lata que esta falando! Tenho mesmo que concordar, pois a maioria dos cães é puro instinto. Mas toda a regra tem a sua exceção! E neste caso, é ai que eu me incluo. Da mesma maneira que muitos serem humanos agem como cachorros, muitos cachorros agem como seres humanos, ou pelo menos, como estes supostamente deveriam agir.
 Minha dona bem que tentou apressar as coisas e me tirar da praça antes da hora. Mas não adianta querer que nós, caninos e humanos, dependuremos a chuteira antes da a nossa natureza mandar o sinal. Nessa vida tem tempo certo para tudo! Qualquer dia conto esta estória.
Aproveitei muito os meus tempos de solteiro. Segui meus instintos de olhos fechados. Saia por aí latindo, mordendo, correndo atrás de qualquer cadela no cio, sem nem mesmo saber por quê.
Sinceramente me considero mais sensível e inteligente que muitas pessoas que cruzei na vida. Mas este é outro assunto! O que quero relatar aqui é como de repente percebi estar maduro e tranqüilo. Momento mais do que propício para encontrar a minha alma gêmea. Nada de cachorra perfeita, pois isto é utopia. Cães não baseiam suas escolhas em expectativas. O que eu queria era simples: uma parceira para tornar os meus dias que já eram bons, ainda melhores!
Foi então que o destino bateu na minha porta. Não poderia ser em uma hora mais propicia. Se a Maria tivesse surgido em outro momento da minha vida canina bandida, talvez eu nem me apaixonasse perdidamente como aconteceu. Poderia ter passado desapercebida. 

Voltando ao fio da meada, o dia chuvoso onde tudo começou...
O telefone da minha dona tocou. Era alguém avisando que eu estava na Praça JK, todo molhado e sem a coleira.
Saquei que era isto que estavam dizendo do outro lado da linha pela resposta dela: - Deve estar havendo um engano! João esta bem aqui! Deitado debaixo da minha mesa, de coleira, sequinho e olhando para mim. Definitivamente não pode ser ele! Deve ser um clone! Traga este cachorro aqui para eu ver.
Não dei muita atenção ao acontecido e continuei cochilando escutando o barulhinho de chuva. De repente senti um cheiro muito bom e familiar. Foi então que me levantei, espreguiçando e abri os olhos sem acreditar no que estava vendo. Quase caí pra trás! Era uma cadela idêntica a mim! Nunca vi nada tão parecido! Minha dona diz que não existe outro exemplar da minha raça. Tudo bem que vira lata é exatamente a ausência de raça, mas eu e aquela ali éramos olho de um e focinho do outro!
Pelo que dizem, já temos um ano de casados e posso dizer que a Maria me completa!
Lambidas do cão apaixonado
João